Já me fizeram essa
pergunta inúmeras vezes: por onde começo a estudar? Aliás, outra
pergunta costuma vir antes: quando começo a estudar? Vamos por partes,
procurando acender uma luz sobre tais dúvidas.
Se você ainda está na faculdade, sugiro que você se
concentre nela e não fique preocupado com os concursos, especialmente
se você ainda está nos três primeiros anos. Há tanta coisa interessante
a se fazer durante esse período, tantas festas, confraternizações,
projetos de iniciação científica, encontros de estudantes, congressos e
por aí a fora, que não compensa perder fios de cabelo querendo adiantar
os estudos. Na verdade, o melhor que você pode fazer é justamente
estudar bastante o que os professores estão ensinando, porque essa será
a sua base como futuro profissional do Direito.
Quando começar seu quarto ano de faculdade, se você
já se decidiu pela área pública e pelos concursos (lembre-se que a
advocacia é um bom caminho também), primeiro se preocupe em fazer sua
monografia de conclusão de curso, se for o caso, para depois iniciar os
estudos. A maioria dos bons concursos exige que você tenha concluído a
faculdade, mas em alguns casos as comissões examinadoras aplicam a
Súmula 266 do STJ (
O
diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido
na posse e não
na inscrição para o concurso público) e só exigem a comprovação
da formatura na data da posse. Assim, se você estiver com muita pressa
e tiver uma boa capacidade de aprendizado, poderá dar sorte e conseguir
a aprovação em algum exame no último ano de faculdade, com a posse
prevista para logo depois de sua colação de grau. Mas, é preciso haver
uma coincidência muito feliz de datas para que isso ocorra, razão pela
qual aconselho você a não se preocupar com isso. Simplesmente estude
com tranquilidade, sem paranóias.
Terminado o curso, é hora de fazer o Exame da OAB.
Não o deixe de lado, pois há muitos cargos bons, como a advocacia
pública, que exigirão sua inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados
do Brasil. Faça o exame, pegue seu certificado e, se for o caso,
deixe-o guardado, mas não o despreze. Primeiro, porque você poderá
precisar dele em algum concurso, como eu já disse. Segundo, porque
convém que você exerça a advocacia, mesmo enquanto estuda para
concursos. Razões: 1) pegar experiência; 2) ver se você tem realmente
vocação para concursos, pois pode ser que você seja um advogado nato;
3) adquirir período de atividade jurídica. Sim, quanto a este último
comentário, vale lembrar que os cargos do Ministério Público e da
Magistratura exigem três anos de atividade jurídica, que são contados
apenas a partir da conclusão do seu curso de Direito. Assim, não
adianta ter pressa caso você queira ser um Promotor, um Procurador da
República ou um Juiz.
Se você já passou por tudo isso, quer estudar e não
sabe por onde começar, aqui vão algumas dicas:
- Dê uma olhada na sua biblioteca particular. Não saia comprando um
monte de livros! Adquira um desses "vademecuns" que englobam os
principais códigos e leis, para que você os tenha atualizados. Caso
você já possua bons livros de doutrina, não se preocupe em comprar
outros, especialmente se eles têm menos de cinco anos desde a edição.
As atualizações de temas você as conseguirá pela leitura da legislação
e
de artigos jurídicos na internet. Compre apenas:
- O citado livro com a legislação atualizada.
- Doutrinas de matérias que você ainda não tenha nada.
- Doutrinas de matérias que você já possua, mas que tenham sido
editadas há mais de cinco anos.
- Um livro de resumos de cada matéria, pois eles são bons para
sintetizar o conhecimento.
- Monte um quadro de horários para que você se auto-discipline.
Separe duas ou três disciplinas por dia, conforme o edital do concurso
para o qual você pretende concorrer, sempre colocando no mesmo dia uma
disciplina que você considere mais difícil com uma que você ache mais
fácil. Lembre-se de deixar um dia para descansar, em regra o domingo.
Quanto aos sábados, deixe para uma tarefa mais amena ou pelo menos
diferente do que você fez durante toda a semana. Exemplo: leitura de
jurisprudência, leitura de artigos jurídicos etc.
- Busque seguir à risca seu quadro de horários. Porém, se você
estiver lendo um grande livro de doutrina, não há mal nenhum em
concentrar-se nessa atividade durante dois ou três dias seguidos, para
não perder a sequência. De qualquer maneira, não tenha como única
atividade do dia uma leitura. Procure fazer exercícios diariamente, até
para treinar o cérebro em relação a essa atividade.
- Se puder, compre uma impressora tipo laser para imprimir materiais da
internet. Ninguém aguenta ficar lendo tudo na tela do computador e
essas impressoras já podem ser encontradas a um preço bem camarada, com
um custo de impressão bastante acessível.
- Não perca tempo imprimindo ou procurando uma avalanche de
questões ou materiais da internet. Vá fazendo isso à medida em que você
conseguir digerir o que já tem em casa. Se baixou uma prova da OAB para
resolver, não se preocupe com outras provas enquanto você não terminar
aquela.
- Faça questões objetivas (fechadas) desde o início do seu estudo,
começando por provas (ex.: OAB) que sejam de bom nível, mas não
exageradamente exigentes.
- Separe um canto para você estudar em paz. Ninguém consegue se
concentrar se não tiver sossego.
- Comece a estudar e ponto final. Não fique adiando o que não pode
ser adiado. Montou seu horário de estudos, está com a mini-biblioteca
em dia, já tem como acessar questões abertas e fechadas da internet,
agora é só com você. Procure seguir o horário que você montou e, mais
do que isso, busque manter uma quantidade mínima de tempo de estudo por
dia. Não precisa exagerar. No início, uma ou duas horas por dia são
suficientes para não se cansar. Com o tempo, aumente a quantidade de
horas, mas saiba que a maioria dos aprovados em concursos dificílimos
não estudava mais do que entre três e cinco horas por dia.
É isso aí. Mãos à obra porque tem muita gente boa
correndo atrás do mesmo sonho que você. Na maioria dos casos, o maior
inimigo que temos é a gente mesmo, a nossa preguiça, a nossa falta de
persistência, os desvios de atenção que a gente deixa acontecer ao
longo do dia (telefonemas, tempo perdido na internet, TV, geladeira,
etc). Enfim, o mais difícil não é enfrentar a concorrência, mas dominar
o próprio corpo e a mente para manter sua vida focada em seu objetivo.
Para mais informações sobre dicas de estudo para
concursos, sugiro a leitura do livro que redigi: "
Juiz
Federal: lições de preparação para um dos concursos mais difíceis do
Brasil". Lá, conto como me preparei e passo dicas de dezenas de
Juízes Federais.
Alexandre Henry
Alves