O aprendizado de
sentença é essencial para quem irá fazer concurso
para magistratura. Pouquíssimos tribunais deixam de exigir a
confecção dessa peça que é, na verdade, o
ápice da atividade do Juiz. Portanto, se você quer se
tornar um magistrado, trate de aprender a fazer sentenças.
Apesar de não ser algo muito complicado, a
confecção de uma sentença cível envolve
inúmeros pontos que seriam suficientes para escrever um livro (o
que eu já fiz:
"Sentença
Cível" - Editora Verbo Jurídico). De qualquer
maneira, eu não poderia deixar de dar algumas dicas aqui, de
forma absolutamente resumida:
- Use uma linguagem clara, direta e sem rodeios.
- Evite o uso de expressões complicadas, excesso de latim e
tudo o que possa servir apenas de enfeite.
- Linguagem simples não significa, claro, desprezar as
nuances técnicas da linguagem jurídica.
- O relatório não tem sido exigido na maioria dos
concursos da magistratura, pois a própria proposta de
sentença já vale como relatório. Mas, pode haver
exceções e é bom você estar preparado. Por
isso, saiba que um relatório deve conter todos aqueles
requisitos do art. 458 do Código de Processo Civil. Não
precisa e nem deve ser muito extenso, exceto em casos que isso seja
absolutamente necessário. Em resumo, o relatório deve ser
suficiente o bastante, e tão somente isso, para que qualquer
pessoa que o leia saiba o que está sendo julgado e quais os
principais elementos para a resolução da lide.
- Preliminares são exigidas aos montes nas provas da
magistratura. Procure conhecer a legislação, a doutrina e
a jurisprudência sobre citação, competência,
litispendência, coisa julgada, capacidade processual,
litisconsórcio e por aí afora. Às vezes,
você gastará mais da metade do tempo de prova resolvendo
as preliminares, o que por si só já dá uma
idéia de que o assunto é muito importante.
- Procure utilizar o "Princípio da prejudicialidade": as
matérias que podem prejudicar a análise das outras devem
ser julgadas primeiramente. Assim, as preliminares vêm antes do
mérito, logicamente. Entre as prelimares, questões como a
competência podem prejudicar inclusive o julgamento das demais,
razão pela qual é interessante utilizar tal
princípio para dar lógica e coerência à sua
sentença.
- Quanto ao mérito, não deixe de analisar nenhum
argumento de ambas as partes, para a sua sentença não ser
omissa. Isso prejudica em muito a sua avaliação perante a
banca e, no futuro, pode gerar uma sentença que seja objeto de
embargos de declaração.
- Não invente, não seja criativo e nem mágico:
julgue com os elementos que o examinador te deu. Não vá
além daquilo ou sua nota será que nem a sua
sentença: uma verdadeira fantasia!
- Aprenda a fazer dispositivos para os diversos tipos de
ação. O dispositivo costuma pegar muito candidato de
surpresa, gente que sabe muito do Direito em si, mas não sabe
como finalizar uma sentença.
- Não se esqueça de tratar dos juros,
correção monetária, reexame necessário e
outras matérias que em alguns casos não podem ser
deixadas de lado.
- Nunca assine uma sentença de concurso ou se identifique de
qualquer modo que seja. Isso levará à
anulação da sua prova.
- Boa sorte!
Pretendo colocar aqui, em um futuro breve,
vários modelos de sentença. Por enquanto, você pode
conferir temas atualizados no meu
blog.
Alexandre Henry Alves